28/08/2018 - Fortaleza: cidade triste com a morte de bares e restaurantes


Artigo de opinião de Rodolphe Trindade, presidente da Abrasel no Ceará

Fortaleza não tem uma noite!
Fortaleza, tem somente um restaurante aberto após as 23h!
Fortaleza, tem 2.600.000 habitantes e talvez não tenha mais que 10 lugares de festa e entretenimento e os barzinhos de maneira geral fecham cedo!
Em 2008 um ex-vereador tentou aplicar a lei seca, imitando a cidade de Diadema no estado de SP com o fechamento dos bares e restaurantes a meia noite. Apesar da lei não ter passado na câmara municipal, involuntariamente, deu certo!
Afinal, que cidade queremos? Como vamos acolher os turistas nesta tristeza e neste desânimo contagiante?
Ainda bem que há muitas farmácias dominando a cidade para comprar aspirina e antidepressivos!

A cada dia que passa o poder público está exigindo cada vez mais dos empreendedores do setor de alimentação fora do lar (AFL), com excessos de burocracia e multas sempre mais altas. Ações estas, sempre aos mesmos empreendimentos legalizados com CNPJ que tentam se adequar com os inúmeros alvarás, licenças, leis e obrigações exigidas. 

Deixamos de atender e de cozinhar para os nossos clientes, para nos tornarmos futuros concursados da administração pública, com o qual passamos a nos relacionar mais que com os nossos frequentadores. Enxugamos a nossa folha, demitindo a rodo, para sobreviver e sustentar a lentidão, o excesso de cargos e a incompetência do setor público.

Nestes últimos cinco meses, a mortalidade do setor atingiu patamares jamais vistos: crise econômica, impostos impagáveis, insegurança, fiscalizações incessantes etc etc. A cereja no bolo, foi o absurdo dos preços dos alvarás de funcionamento e sanitário, que desestimulou qualquer investidor a gerar um novo negocio ou ampliar os já existentes.

Desde fevereiro que alertamos das consequências do aumento dos alvarás e fomos a primeira entidade a ter tal atitude, não somente reclamando, mas, também propondo soluções, que é o que todos nós, dos diversos setores produtivos da cidade, esperamos e almejamos. Não participamos dos movimentos com um cunho de reaproveitamentos políticos e lançamos a nossa própria campanha. 

Para o turismo de nossa cidade a Abrasel acredita sim, nas diversas obras e benfeitorias, realizadas tanto pela PMF e o estado, que estão acontecendo na cidade como um grande avanço para o setor. MAS, tem que se criar politicas de incentivos junto com os setores produtivos envolvidos e que estes possam participar das elaborações e propor soluções. Sabemos também o quanto é difícil reivindicar ações e soluções em tempos de campanha, mas a questão da violência tem de ser prioridade! Ou...tudo que estamos conquistando irá por água abaixo.

A Abrasel tem propostas. Juntos somos mais fortes!