Um Jamie Oliver à moda brasileira

O "homem gourmet" Dalton Rangel pretende abrir restaurante próprio em São Paulo. Mas, assim como o chef-celebridade britânico, a televisão ainda é o foco


Descontraído na frente das câmeras e hábil atrás do fogão. Quando fala-se em Dalton Rangel, a designação de apresentador de tevê acompanha sempre a de chef de cozinha. Afinal, o garoto (ele tem 27 anos), se tornou conhecido popularmente por sua atuação em programas de gastronomia como o Homens Gourmet , na Fox (a quinta temporada será gravada em 2015), Super Chef Celebridades, na Globo, e Hoje em Dia, na Record.

Nascido em Niteroi e crescido em Visconde de Mauá, interior do Rio de Janeiro, onde a mãe Mônica Rangel comanda o premiado restaurante Gosto com Gosto, tem a carreira televisiva na cabeça. Mas também sonha em tocar outros projetos em paralelo. “A ideia é abrir um restaurante em São Paulo e criar um cardápio de autor, como já fazem Gordon Ramsey e Jamie Oliver”, conta em conversa com o Bom Gourmet.

A comparação pode parecer ousada, mas na hora de se inspirar para botar o plano na prática, o modelo é uma figura bem mais próxima: o chef e empresário londrinense que atua em Curitiba e São Paulo, Rodrigo Martins. “Além de ser chef de cozinha, ele gere restaurantes comerciais e rentáveis. Faz tudo: cria o cardápio, treina o pessoal, é gestor do negócio e ainda rentabiliza”, diz.

 

No programa Homens Gourmet você e seus colegas Carlos Bertolazzi e Guga Rocha aparentam ter uma grande sintonia. Vocês são amigos também longe das câmeras?

Sim, 100%! A nossa amizade vem de antes do programa: conheço Guga desde 2008 e Bertolazzi desde 2010. Como todos moramos em São Paulo, saímos toda semana para conhecer novos restaurantes. Jogo squash com o Bertolazzi. O Guga agora se mudou para o Canadá, mas volta frequentemente ao Brasil.

 

Além da tevê, você faz outras coisas?

Sim. Ajudo na organização do Brazil Fashion & Food 2014, um evento que une gastronomia e moda no exterior. Em 2014 levamos a gastronomia brasileira a diversas cidades: Xangai, Dubai, Paris, Nova York e Miami. No segundo semestre de 2015, faremos uma nova edição. Além disso participo de muitos festivais no Brasil, faço eventos pontuais, não paro nunca!

 

Está pensando em se estabilizar e abrir seu restaurante ou, quem sabe, assumir o restaurante da sua mãe?

A ideia no futuro é abrir um restaurante meu em São Paulo, com um cardápio de autor. Quero criar meus pratos e ter uma equipe que gerencia a casa, assim como fazem Gordon Ramsey e Jamie Oliver, que têm vários restaurantes, mas continuam fazendo tevê.

 

Além deles, tem outros chefs que te inspiram e são referência para você?

Minha mãe é sem dúvida a maior estrela. Cresci vendo ela no fogão. Depois tem o Vitor Sobral (chef português do Tasca da Esquina, em São Paulo) que me acolheu em Portugal quando estagiei por oito meses. Cheguei da faculdade me achando chef ele me botou a descascar mandioca e cortar cebola, foi muito útil. Enfim, não posso deixar de citar meu amigo Rodrigo Martins, que consegue ser chef de cozinha, gerir restaurantes comerciais e rentabilizar.

 

Qual é sua formação gastronômica e como você se aproximou da cozinha?

Quando eu tinha quatro anos de idade, minha mãe abriu o restaurante Gosto com Gosto. Ficava vidrado no trabalho dela. Depois fui cursar Senac em Águas de São Pedro, uma escola muito boa no interior de São Paulo, e viajei o mundo para conhecer várias cozinhas: Portugal, Irlanda, Tailândia, Espanha e Itália. Quando voltei me candidatei para o casting do Homens Gourmet e fui selecionado.

 

Tem uma cozinha que te inspira ou que você sente ser mais sua?

Aprendi diversas técnicas, mas gosto da cozinha de autor, com pratos não tradicionais. Eu compro meus ingredientes, opto pelos frescos e orgânicos, e tudo depende da inspiração do dia. Meu foco é a culinária brasileira, em particular mineira, para seguir a tradição da minha mãe.

 

Nos últimos tempos tem vindo bastante a Curitiba para participar de eventos, feiras e festivais. Tem algum restaurante ou chef local que você aprecia?

A Manu [Buffara] está fazendo um trabalho fantástico e está dando uma identidade para a gastronomia paranaense. Gosto muito de seu estilo minimalista e brasileiro. Ivo Lopes, no La Varenne, executa clássicos de forma perfeita. Adoro o restaurante dele. E agora tem o chef italiano [Simone Brunelli] do Terra Madre que também faz uma gastronomia espetacular.


Fonte: Bom Gourmet