30/08/2016 - 5 mitos e verdades sobre os vinhos

Preparamos uma lista básica para esclarecer suas dúvidas


Ibravin | Circuito Brasileiro de Degustação de Vinhos

 

No mundo dos vinhos o que não falta é gente que entende um pouco de tudo e muito de nada. Assim criam-se verdades que acabam por minar o que realmente importa: o prazer de abrir uma garrafa e degustar. Pois bem, listamos alguns famosos mitos (ou verdades?) e damos nossa versão aos fatos.

1) Tinto só vai bem com carne e branco só com peixe?

A resposta fácil para essa pergunta seria sim, só que não! A regra básica é evitar tintos tânicos com peixe porque dá uma sensação horrível de que você colocou algo metalizado na boca tipo um parafuso – e vinho muito tânico é aquele que quando você experimenta faz a mesma careta de quando come caqui verde. Mas o conceito de que tinto só com carne e peixe só com branco é mito, pois existem outras variáveis como: é frito ou é assado; molho branco ou vermelho; com azeitona ou molho picante; e por aí vai. Algumas sugestões, então. É um churrasco sangrento, vá de Tannat – experimente o uruguaio Carlos Montes Tannat Crianza, da Bodegas Montes Toscanini. É um carpaccio nadando no azeite com alcaparras, experimente um espumante como o Cava Don Román Brut. É um ceviche com acidez que faz brotarem lágrimas, vá de vinho verde como o Varanda do Conde. É um salmão grelhado com sal e pimenta do reino, teste com o chileno Cefiro Reserva Pinot Noir. E divirta-se, que é o que realmente importa.

2) Afinal, deve-se ou não cheirar a rolha depois que abre a garrafa?

Se você, leitor, define-se apenas como bebedor de vinho, a resposta é não. Apesar de muita gente cheirar a rolha e fazer aquela cara de intelectual, a realidade é que não é assim que se sabe se o vinho está bom para ser consumido ou não, além de a cena ser um pouco estranha e até mesmo anti-higiênica. Mas, se você é um grande entendedor do assunto, sabe que a rolha pode indicar alguns tipos de problemas ou ainda mostrar o estado de conservação de vinhos de guarda (aqueles feitos para beber daqui 30 anos, por exemplo).

Nem precisamos dizer que esses rótulos – que eles teimam em chamar de vinho – são os responsáveis pelos recordes de dores de cabeça no consumidor mais desavisado.

3) Em vinho doce, vai açúcar?

Não! Nem em suco de uva de boa procedência vai açúcar – nos recusamos a considerar sucos de caixinha. A uva é uma fruta e, como toda fruta, tem açúcar. Ponto. Para a uva virar vinho acontece o seguinte: os açúcares da uva (a frutose e a glicose) transformam-se em álcool etílico – não é milagre, nem mágica, trata-se da fermentação. Existem métodos que interrompem a fermentação (ou seja, para-se a transformação do açúcar em álcool) e então “sobra” açúcar da fruta. Em grosso modo, é assim que se faz vinho doce fortificado, como os Porto Messias, por exemplo. Existem outros vinhos de sobremesa que são elaborados com outros métodos, mas sempre com o açúcar natural da fruta. Mas, como em toda regra, aqui também há exceção: existem produtores de vinhos que, infelizmente, têm o péssimo hábito de colocar um pouquinho de açúcar para conseguir o grau de álcool desejado na bebida. Nem precisamos dizer que esses rótulos – que eles teimam em chamar de vinho – são os responsáveis pelos recordes de dores de cabeça no consumidor mais desavisado.

4) Quanto mais velho, melhor?

A realidade é dura, mas tenha coragem e leia: menos de 5% dos vinhos do mundo são feitos para envelhecer (os chamados vinhos de guarda) e, acredite, eles não são feitos para meros assalariados como nós. Ou seja, a maioria dos vinhos foi elaborado para ser consumido em até cinco anos. Compre e beba, por favor, pois a realidade pode ser pior, já que nem todo vinho velho é bom.

5) Pode-se guardar o vinho depois de aberto?

Sim, se for um tinto e você deixar um dia (dois, vai…) na porta da geladeira; se você tirar o oxigênio com aquelas bombas à vácuo pode até ficar uns 3 dias.  O que não adianta é querer abrir um vinho tinto hoje, tomar metade da garrafa e guardar o restante para daqui um mês, pois você irá degustar um delicioso… vinagre. Vinho é um produto vivo e reage em contato com oxigênio. Mas, exceção à regra, você pode guardar os vinhos do Porto ou os da Ilha da Madeira depois de abertos (um Justino’s Madeira 3 anos, por exemplo, aguenta um ano depois de aberta a rolha). No caso dos espumantes, abra e deguste – pois não fica bom depois de algumas horas, a menos que tenha uma tampa específica que consiga vedar e segurar totalmente o gás.

Agora não dá mais pra errar, né?

 

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Artigo de: Tutano Gastronomia

Autora: Melissa Crocetti

29 de agosto de 2016

tutanogastronomia.com.br