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Índices oficiais comprovam que retomada de bares e restaurantes está em curso, com impacto positivo na economia do país. Inflação projetada do setor foi de 7,36%, mais de três pontos percentuais menor que o índice geral, que ficou em 10,42%

Foto: Divulgação

O setor de alimentação fora do lar tem dado contribuição decisiva para a melhora do ambiente econômico do país. É o que mostram vários dos índices oficiais do governo federal, como o IPCA-15 (prévia da inflação), Caged (empregos) e PMS/IBGE (atividade mensal dos serviços).

Dados do Caged divulgados na última quinta-feira (23) mostram que em novembro foram criados 118 mil empregos no segmento de alojamento e alimentação, sendo 106 mil somente no setor de bares e restaurantes, que teve saldo de 32 mil vagas preenchidas no mês.

Isso representa cerca de 10% do saldo total de empregos no país no período, que foi de 324,1 mil. Historicamente, bares e restaurantes respondem por mais de 90% dos postos de trabalho do segmento ‘alojamento e alimentação’, segundo estimativa da Abrasel.

A perspectiva para dezembro é aumentar ainda mais este saldo, que no ano já passa de 100 mil empregos com carteira assinada.

Os dados da PNAD Contínua também deixam claro o protagonismo do setor. Entre os 13 segmentos analisados, bares e restaurantes lideram o crescimento anual da população ocupada, com um índice de 26,5% no terceiro trimestre de 2021, sendo o único com taxa superior a 20% de crescimento nos empregos formais.

“Estamos em plena retomada, puxando os números formais e informais de empregos em todos os índices disponíveis, com uma aceleração maior neste segundo semestre. Devemos fechar 2021 com 600 mil empregos recuperados e esperamos criar pelo menos mais 60 mil nos três primeiros meses do ano que vem”, afirma o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci.

O crescimento nos indicadores de emprego reflete o aumento na atividade do setor de serviços, onde a alimentação fora do lar também se destaca.

Em dezembro, a pesquisa mensal de serviços (PMS) publicada pelo IBGE mostra que o conjunto de serviços prestados às famílias, que inclui bares e restaurantes, foi o único que apresentou crescimento positivo, de 2,7%; no geral, houve queda de 1,2%.

O acumulado do ano é de 17,6%. Quando isolados somente os serviços de hospedagem e alimentação, o crescimento no ano é ainda mais expressivo: 20,1%.

O setor, além de puxar a retomada na economia e contribuir com na criação de empregos, também têm ajudado a conter a inflação. Os dados do IPCA-15 também divulgados na quinta-feira (23) mostram que este setor registrou alta de 7,36%, mais de três pontos percentuais abaixo do índice geral de inflação, que fechou o ano em 10,42%. Em dezembro, a alta no setor foi de apenas 0,08%, contra 0,78% do índice geral.

Bares e restaurantes foram pressionados por aumentos acumulados ao longo do ano, com destaque para os combustíveis, energia elétrica, alimentos e bebidas e aluguel, mas tiveram que segurar o repasse de preços no cardápio.

Para Paulo Solmucci, a lição aprendida na pandemia ajudou os estabelecimentos a cortarem custos nesse momento. “Parte relevante dos bares e restaurantes teve ganho de produtividade ligado à revisão dos processos, automação, digitalização dos clientes. Foram obrigados a rever os custos pela sobrevivência dos negócios. Uma das consequências mais visíveis é que onde antes trabalhavam dez funcionários, hoje trabalham oito”.

Segundo Solmucci, isso possibilitou que, mesmo diante da inflação de dois dígitos, os aumentos no cardápio fossem adiados ou minimizados.

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