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"A reabertura gradual dos bares e restaurantes está sendo acompanhada de uma preocupação que não vai acabar tão cedo: como diminuir o risco contágio pelo novo coronavírus em itens de uso comum, como cardápios físicos e maquininhas de pagamentos, que são passados de mão em mão?

Por mais que os estabelecimentos se preocupem com a higienização constante, a expectativa é de que o grande volume de clientes ainda levará algum tempo para deixar o receio de lado e voltar às ruas. Para tentar superar isso, muitos empreendedores estão apostando em alternativas para evitar contato, como cardápios eletrônicos, pedidos à distância e pagamento apenas por aproximação ou reconhecimento facial e através do WhatsApp.

Se há algo que todos concordam é que a pandemia do novo coronavírus acelerou a digitalização dos negócios, com a implementação de tecnologias que demorariam anos para se fortalecer em apenas algumas semanas. E há algumas tão simples que o próprio empreendedor pode fazer, sem custos adicionais.

É o que fizeram os restaurantes K.sa e Nayme, em Curitiba, ao transformarem os cardápios físicos em digitais. A mudança consistiu em publicar os menus nos sites dos estabelecimentos e permitir o acesso a eles pelo celular através de um cartão plastificado com QR Code sobre as mesas.

"É muito simples, basta o cliente apontar a câmera para o QR Code e ele já abre o navegador levando para a página onde está o cardápio. Isso evita que fique passando o cardápio de mão em mão, e os clientes se sentem mais seguros", afirma Márcia Oliveira, consultora de marketing dos restaurantes.

O QR Code é uma espécie avançada de código de barras que funciona como um link para um endereço na internet e pode até ser criado gratuitamente em sites ou aplicativos. Já o cardápio precisa ser reproduzido em uma plataforma, como uma página qualquer no site do restaurante ou um sistema de automação.

Código integrado com a cozinha

Reprodução do QR Code e do cardápio digital da startup curitibana Vina.| divulgação
Com o avanço dos métodos de atendimento sem contato, agências que desenvolvem soluções de automação passaram a integrar o cardápio digital à uma plataforma para pedidos feitos no salão, balcão ou no delivery. O aplicativo curitibano de delivery Vina criou um sistema que também utiliza um cartão plastificado de QR Code na mesa, mas ao invés de levar para o site do restaurante, ele leva para uma plataforma que já computa o pedido para a cozinha.

"Cadastramos o menu do restaurante na plataforma e o empresário escolhe se vai servir no local, delivery e take away. Se ele falar que quer que a pessoa faça o pedido na mesa, ela mira o QR Code e cai direto no cardápio da nossa plataforma", afirma Juliano Haus, CEO do Vina.

A empresa cobra uma mensalidade de R$ 39,90 ao mês para manter o cardápio hospedado na plataforma e o suporte ao serviço (a produção de fotos dos pratos para ilustrar fica por conta do empreendedor). Os bares e restaurantes que utilizam o Vina também para o delivery estão com as taxas de entrega zeradas até setembro -- depois será cobrado R$ 1 por pedido.

Sem contato

Além do cardápio digital pelo celular na palma da mão, outra tecnologia que avançou com a pandemia foi o uso de pagamentos sem contato físico. Se antes era muito comum você dar o cartão de débito/crédito para o garçom inserir na maquininha, agora é apenas aproximá-lo do equipamento ou mirar o celular em um QR Code nas comandas de pagamento.

Pesquisa publicada em maio pela Visa Consulting & Analytics, da bandeira de cartões de crédito Visa, mostra que o pagamento por aproximação cresceu cinco vezes de março de 2019 para março de 2020, início da pandemia no Brasil. Na operadora de pagamentos por celular PicPay, foram 3 milhões de novas contas abertas apenas durante o período da pandemia do novo coronavírus, atingindo 20 milhões de usuários no país.

Enquanto o pagamento por aproximação esteja disponível em grande parte dos cartões de crédito e débito emitidos desde o ano passado, e aceito por praticamente todas as operadoras de maquininhas, o uso do QR Code é menos popularizado -- mas está ganhando mercado.

Gueitiro Genso, CEO do PicPay, afirma que esse movimento condiz com o momento atual de pandemia, em que o contato físico necessário em outras formas de pagamento, como em espécie ou máquinas de cartões, é desaconselhado por especialistas. Para ele, isso demonstra como os aplicativos financeiros têm sido úteis na crise.

“Após termos realizado mais de 5 milhões de transações por QR Code, hoje vemos ele se popularizar nos estabelecimentos comerciais", conta.

O pagamento por QR Code, embora ainda seja pouco conhecido de boa parte dos clientes, já está disponível em diversos bares e restaurantes. Em Curitiba, por exemplo, aplicativos como o PicPay e Mercado Pago são aceitos em estabelecimentos como Terra Madre, Tribo das Frutas, The Cakery, L'épicerie, Pata Negra, Spoleto, McDonald's, entre outros.

Paga no "zap"

Outra forma de pagamento sem contato é através do aplicativo de mensagens instantâneas WhatsApp, que chegou ao Brasil na última semana. O recurso, que está sendo disponibilizados aos poucos aos usuários, utiliza a conta WhatsApp Business da empresa e é processado pela operadora de cartões de crédito Cielo. O uso do aplicativo é gratuito, mas as vendas têm a incidência de uma taxa de 3,99%.

O mercado de pagamentos digitais está bastante aquecido no Brasil e ainda há a previsão da entrada do Pix no segundo semestre, um aplicativo do Banco Central, pode derrubar ainda mais as taxas cobradas.

Reconhecimento facial

Outro método de pagamento que já começou a ser utilizado em países asiáticos pós-pandemia da Covid-19 é a biometria facial. Sem precisar aproximar o cartão da maquininha ou sacar o celular do bolso e abrir os aplicativos, o método consiste no cliente se posicionar em frente a uma câmera ou um tablet e ser fotografado pelo sistema de pagamento

A tecnologia começou a ser testada no Brasil em meados de maio pela PicPay e chegará ao público nas próximas semanas, após o fim da quarentena em São Paulo. O primeiro local de testes será com os clientes do Banco Original, que terão os rostos cadastrados para utilizarem nos pedidos feitos na cafeteria do edifício sede da fintech.

“Como os dados para a transação estão todos cadastrados no celular do cliente, a operação é mais prática e segura. É uma tendência cada vez mais forte e inescapável”, diz Genso

De acordo com a empresa, toda a operação dura em torno de 30 segundos: após o caixa registrar o pedido, o cliente deve se posicionar em frente a um tablet para fazer o reconhecimento facial. O sistema confirma imediatamente a identidade da pessoa e libera a cobrança para o atendente e o débito para o aplicativo do cliente, que recebe uma notificação e verifica o valor para confirmar a compra.

A expectativa é de que a entrada de novos estabelecimentos no sistema comece efetivamente no segundo semestre, com a retomada gradual das atividades comerciais. Segundo a empresa, pelo menos 800 mil empresas de todo o país estão aptas a implantar a tecnologia que será subsidiada pela PicPay em um primeiro momento.


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