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O anúncio de encerramento das operações de entrega de refeições no Brasil feito hoje pela Uber Eats foi recebido com pesar e muita apreensão pelo setor de bares e restaurantes. Para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), é sintomático que cerca de um mês após a Delivery Center anunciar o fim de suas atividades no país, outra gigante do delivery faça o mesmo.

“Ficamos em alerta máximo especialmente pelos motivos aventados: a dificuldade de transpor as barreiras impostas pela empresa líder desse mercado. Embora essas hipóteses ainda não estejam confirmadas, o fato da Uber Eats ter encerrado as atividades apenas por aqui é um indicativo de que esse mercado esteja adoecido, precisando de um remédio mais forte”, afirma o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci.

Na visão de Solmucci, isso representa uma significativa perda de competitividade no mercado de delivery. Segundo ele, uma possível solução para a crise possa ser a implementação do padrão Open Delivery, iniciativa liderada pela Abrasel e que disponibiliza um código aberto para padronização de cardápios e pedidos, tornando o mercado de delivery mais transparente, ágil, acessível e competitivo, já que a tendência é que os restaurantes passem a trabalhar com mais marketplaces, estimulando melhores práticas, preços e prestação de serviço.

O presidente da Abrasel lembra ainda que a entidade entrou, junto da própria Uber Eats e da 99 Food, como parte interessada em um processo aberto pela Rappi junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pedindo o fim dos contratos de exclusividade impostos pelo iFood. Em março de 2021, o Conselho acatou parcialmente o pedido, proibindo que novos contratos semelhantes fossem feitos e o setor aguarda ainda que a decisão passe a valer para os contratos que já vigoraram à época. Adicionalmente, a Abrasel entrou com processo semelhante pedindo que a proibição desse tipo de contrato passe a valer para qualquer marketplace.

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