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Parece que foi há muito tempo, mas em janeiro e fevereiro deste ano o foodservice dava continuidade à recuperação da crise econômica que o havia impactado nos anos anteriores. O tráfego crescia havia seis trimestres consecutivos, segundo acompanhamento CREST¹ Brasil, conduzido pela Mosaiclab|GS&Inteligência.

Em março, no entanto, vimos a ameaça que já atingia outros países ao redor do globo finalmente chegar ao território nacional, e – como aconteceu lá fora – impactar rapidamente o setor de restaurantes, juntamente com diversos outros segmentos da economia e consumo.

Gráfico 1

O resultado acumulado do primeiro trimestre trouxe -6% de retração, mas dilui o impacto das últimas semanas de março – onde efetivamente o isolamento social começa em diversas cidades e estados, e os restaurantes passam a fechar para operações em loja. Considerado isoladamente, março chega a registrar declínio de aproximadamente 1/3 das transações – intensificados nos meses de abril e maio, consecutivamente.

Gráfico 2

As últimas semanas, no entanto, têm trazido com a reabertura gradual de lojas e restaurantes algumas perspectivas em relação ao foodservice na retomada.

A primeira delas é que segmentos mais adaptados ao consumo rápido – ou ainda, ao consumo fora do local (como delivery e para viagem, por exemplo) tiveram maior resiliência no impacto inicial, e tendem a se recuperar mais rapidamente neste momento: destaque para padarias, conveniência, restaurantes de refeições completas e redes do fast food moderno.

Gráfico 3

Em segundo lugar, temos observado que algumas ocasiões tendem a se recuperar mais rapidamente.

Entre estas, destacam-se as refeições realizadas dentro de casa, em momentos de lazer com amigos/ família; que correspondiam a 12% das refeições do foodservice em 2019, isto é, no cenário anterior à Covid-19.

Também têm previsão de rápida retomada refeições realizadas no dia a dia – mas adaptadas ao cenário de isolamento social, isto é: fora do restaurante/estabelecimento, no ambiente de casa ou trabalho. Neste grupo, destacam-se alimentos e bebidas consumidos durante o almoço ou nos intervalos de manhã ou à tarde, e correspondem a 20% do mercado.

Somando-se estes momentos de consumo, totalizam-se aproximadamente 1/3 das transações de 2019 com estimativa de retorno mais rápido nos próximos meses.

Por outro lado, há ocasiões mais prejudicadas, com previsão de retorno mais lenta. Entre elas, as refeições relacionadas a passeios, entretenimento em locais fechados/cobertos, viagem de lazer ou negócios, entre outras. Estima-se que estejamos falando aqui de outro terço do mercado que pode demorar a recuperar, ou até mesmo não retornar nos moldes que conhecíamos até então.

É importante reforçar, no entanto, que o que temos aprendido observando o comportamento do foodservice é que trata-se de um mercado resiliente, dinâmico e com alto poder de recuperação. As ocasiões que conhecíamos antes provavelmente se tornarão diferentes. Os segmentos e canais, reformulados sob novos aprendizados. O que vimos após a última crise econômica é que o foodservice retorna reinventado: nas ocasiões, nas ofertas, nos formatos, e na forma de comunicar e atender ao seu público-alvo.

Certamente o novo foodservice não será como antes. Estar atento às dinâmicas desse mercado é mais do que nunca imprescindível para garantir a sua perenidade.

¹FONTE: Pesquisa CREST® com consumidores de refeições preparadas fora do lar, com metodologia internacional conduzido no Brasil pela Mosaiclab/GS&Inteligência. Para dúvidas ou mais detalhes da metodologia, entre em contato no e-mail: info@gsinteligencia.com.br.

Fonte:https://www.mercadoeconsumo.com.br/2020/06/26/impactos-da-covid-19-no-foodservice-brasileiro/

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