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Turismo internacional em alta impulsiona bares e restaurantes em 2026

  • PUBLICADO EM: 19/01/2026
  • Tempo estimado de leitura: minuto(s).

Com fluxo de visitantes estrangeiros em patamar histórico, o setor de alimentação fora do lar entra em 2026 projeções otimistas para o movimento e a receita

Foto: Midjourney

O turismo internacional fechou 2025 como o melhor ano da série histórica no Brasil: foram mais de 9 milhões de estrangeiros — 37% acima de 2024, ano que detinha o recorde até então, e muito além da meta do Plano Nacional de Turismo para o período (6,9 milhões). Esse salto reposiciona o país no radar global e cria um efeito direto sobre o setor de alimentação fora do lar: mais movimento em bares e restaurantes, maior tíquete médio e demanda por experiências gastronômicas autênticas.

O dinamismo do fluxo turístico internacional aparece também no faturamento: de janeiro a outubro de 2025, os visitantes estrangeiros injetaram US$ 6,6 bilhões na economia brasileira, dinheiro que entra no caixa de destinos, hotéis, transporte e, sobretudo, da restauração.

O que explica o salto e por que isso interessa à AFL

Marcelo Freixo, presidente da Embratur, explica que o sucesso histórico de 2025 é fruto de um reposicionamento estratégico da imagem do Brasil no exterior, além de um trabalho orientado por inteligência de dados feito pela organização.

“O Brasil está na moda, e em 2026 o turista estrangeiro busca vivências autênticas e sustentáveis, algo que o país provou que entrega com excelência. Nós apostamos em mostrar ao mundo a diversidade de experiências que o Brasil pode oferecer, do ecoturismo ao afroturismo, de nossas festas populares à gastronomia, e trabalhamos conectando destinos específicos aos mercados certos. Esses fatores continuam mais pertinentes do que nunca”.

Para Freixo, considerando essa promoção mais segmentada do Brasil que vem sendo realizada no exterior e cria focos de interesse, o visitante estrangeiro que chega ao país está cada vez mais orientado por experiência, o que traz uma relação direta com o mercado de alimentação fora do lar.

“O turista internacional quer viver o destino e isso se reflete em tendências de consumo bem claras. Por exemplo, ele tem interesse em conhecer a nossa gastronomia, buscar sabores locais, pratos típicos, ingredientes brasileiros, conhecer chefs, feiras e mercados públicos e viver experiências regionais”, afirma.

“A gastronomia é cultura servida à mesa: ela é parte do destino, não um detalhe. Hoje, é um dos principais motivadores de viagem no mundo, e o Brasil tem uma das culinárias mais diversas do planeta. O principal desafio é a estruturação do produto turístico gastronômico. Trabalhamos para transformar o nosso prato em roteiro, trazendo para a experiência não apenas os sabores, mas os saberes tradicionais que guiam nossos chefs”, completa.

A projeção da Embratur é que, este ano, o fluxo de visitantes internacionais alcance uma nova marca recorde de 10 milhões. Para a Abrasel, esse cenário consolida a oportunidade de transformar presença de público em resultado para o setor, especialmente em destinos mais turísticos.

“Estamos vivendo um momento muito positivo para a alimentação fora do lar. Esse fluxo de estrangeiros pode beneficiar negócios de todos os portes, do restaurante de alta gastronomia ao bar de bairro, do café familiar ao microempreendedor que vende uma experiência típica”, afirma Paulo Solmucci, presidente da entidade.

“O aumento da circulação de renda nos destinos cria oportunidades concretas de crescimento. O crescimento do turismo internacional já se traduz em mais mesas ocupadas e tíquete médio maior, mas esse ganho aparece de forma mais consistente quando o empreendedor está preparado. O nosso papel na Abrasel é apoiar para que esse potencial vire resultado”, acrescenta.

Na ponta do balcão: aprendizados de quem recebe

Em Manaus (AM), a proprietária do restaurante Caxiri, Débora Shornik, confirma o papel do turismo como fomentador da atividade do negócio. Com o fluxo turístico absorvido pelo restaurante, a casa intensificou o relacionamento com os fornecedores locais e fortaleceu suas parcerias. Para um atendimento de sucesso, Débora observou o comportamento dos clientes estrangeiros.

“O turista é um investidor cultural. Ele quer se sentir respeitado, valorizado e ter uma experiência de qualidade e excelência. Os clientes de outros países costumam fazer as suas reservas com antecedência e não buscam simplesmente uma entrega dentro do esperado, eles querem ser surpreendidos. Eles querem o encantamento, e isso é um fator decisivo para fidelização e reputação online”, afirma.

Compreender o comportamento desse público possibilita a criação de estratégias mais assertivas para recepcioná-lo. Revisar a entrega de experiência (contexto cultural, sazonalidade de ingredientes, narrativas do menu) pode ajudar a identificar lacunas e fortalecer a proposta que o negócio oferece aos clientes. Essa atenção aos detalhes ainda reflete na imagem do estabelecimento, cujas avaliações online em sites como Google e TripAdvisor podem ser um fator de visibilidade e atratividade para novos públicos.

Oportunidades mapeadas e desafios no radar

O avanço do turismo internacional vem mudando a forma como o visitante estrangeiro consome gastronomia no país: ele chega com maior disposição para experimentar ingredientes locais, busca informação clara sobre o que está no prato e valoriza experiências que conectem sabor e cultura. Nesse contexto, os restaurantes que conseguem transformar o menu em roteiro e o atendimento em mediação cultural — explicando origem, sazonalidade e técnicas — tendem a ampliar relevância e tíquete médio sem depender de cardápios extensos.

O mesmo vale para a jornada de compra: quando o estabelecimento facilita a vida do viajante com cardápio bilíngue, reservas nos canais que ele já usa e meios de pagamento familiares (contactless, carteiras digitais, QR), a conversão melhora e a avaliação espontânea também.

Essa dinâmica abre espaço para arranjos concretos com o ecossistema do destino. Parcerias com guias, hotéis e operadoras costumam colocar a casa dentro do roteiro do visitante já no planejamento da viagem; e, com novas rotas internacionais distribuindo o fluxo para além do eixo RJ–SP, surgem janelas de movimento em outras capitais, que atuam como porta de entrada, e em destinos que antes eram mais sazonais.

Na prática, negociar menus de experiência para grupos, definir horários alinhados a city tours e transfers e alinhar narrativa gastronômica com o posicionamento que o destino promove no exterior se tornam caminhos para atrair clientes e aumentar o faturamento.

Quanto aos desafios, a operação precisa acompanhar o novo patamar de expectativa. Equipes de salão e bar ganham desempenho quando dominam atendimento multicultural, vocabulário básico em outro idioma e protocolos sobre alergênicos. Essa preparação impacta diretamente o ritmo de serviço e a satisfação registrada nas plataformas de avaliação. A gestão da reputação digital, por sua vez, pede coerência entre o que é prometido nos canais digitais do negócio e o que é entregue no salão, com respostas ágeis e acolhedoras a comentários de clientes, fator que pesa na decisão de quem ainda vai reservar.

Em um cenário de câmbio volátil, uma forma de evitar flutuações constantes nos preços é trabalhar com alguns pratos fixos que usam insumos mais estáveis e oferecer experiências especiais, como menus de degustação, harmonizações ou pratos de temporada. Esses formatos permitem ajustar quantidades, ingredientes e combinações sem que o cliente perceba um impacto direto no preço final, contribuindo para manter a rentabilidade.

E, cada vez mais, a sustentabilidade precisa sair do discurso e aparecer no prato. Segundo Freixo, “uma parte importante dos turistas hoje também se interessa em consumir uma gastronomia engajada, que utiliza ingredientes oriundos da agroecologia, de pequenos produtores locais. Tudo isso é parte da experiência”. Compra local, rastreabilidade de insumos, gestão de resíduos e eficiência energética, quando comunicadas com transparência, tornam-se parte da proposta de valor e um critério de escolha para o visitante internacional.

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